Planejando quanto você vai gastar numa obra, antes dela começar!

Atualizado: 22 de Out de 2019

Quando alguém decide fazer uma obra de uma franquia, pela minha experiência, a dúvida de 99% das pessoas é saber quanto irá gastar.


Já diria Jesus em uma de suas parábolas, há mais de 2 mil anos: “qual de vós, desejando construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o custo do empreendimento, e avalia se tem os recursos necessários para edificá-la?”


A maioria dos meus clientes quando chegam ao escritório querem saber logo de imediato quanto irão gastar.


Mas como diria Lewis Carrol em Alice no País das Maravilhas: “Se você não sabe onde quer chegar qualquer caminho serve”.


Ou em outras palavras, tudo vai depender se você “quer ir” para a Ilhas Maldivas ou se você quer ir para Santos, no final das contas, ambos são praias, mas um é mais luxuoso, desejado, mais longe e mais caro enquanto o outro é o exatamente oposto, e entre estas duas opções existe o meio termo.


Já diria Jesus em uma de suas parábolas, há mais de 2 mil anos: “qual de vós, desejando construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o custo do empreendimento, e avalia se tem os recursos necessários para edificá-la?”

O Planejamento do orçamento responderá as seguintes questões:


- Em qual moeda deve ser feito o orçamento? Sim, porque se a obra envolver custos em dólares ou outra moeda, sofrerá com as variações de câmbio.


- Como as estimativas serão levantadas e quais dados históricos serão utilizados para determinar o orçamento?


- Como o escopo, prazo e qualidade influenciam no orçamento?


- Quais as restrições e premissas para o orçamento?


- Qual o fluxo de pagamento que a sua empresa tem disponível para bancar a obra?


- Quais os riscos do projeto? E qual o impacto deles no orçamento?


- Quais os recursos humanos e materiais? Quanto eles custam?


Então quando for fazer o orçamento, lembre-se de ter em mãos o escopo, para entender o que deve ser entregue pela obra, e também o cronograma, para entender quais atividades e quais recursos serão necessários para realizar o escopo. Não sabe como fazer?...Veja os dois primeiros vídeos ou artigos da série.

Lembra-se quando falamos de planejamento em ondas sucessivas no primeiro artigo?


Pois bem, este conceito se aplica diretamente aqui.


No começo, onde temos poucas informações e maiores riscos, é possível determinar apenas um Estimativa que chamamos de Ordem de Magnitude Bruta, ela dá uma noção geral no início, para saber se o obra é viável ou não, ou alguns o conhecem como o famoso CHUTE: Condição Hipotética Universal de Tentativa e Erro.


Brincadeiras a parte, é esta estimativa que as franqueadoras fornecem nos seus materiais de venda, baseado no histórico de valores das demais unidades.


Mas este valor tende a variar de -25% à 75%, em função dos requisitos e RISCOS específicos, tais como: tamanho do terreno ou espaço destinado, ponto comercial em si, dificuldade com logística, etc.


Isso significa que você não deve fazer sua obra?


Não, significa apenas que você precisa alinhar a sua realidade à sua expectativa.

Como diria Lewis Carrol em Alice no País das Maravilhas: “Se você não sabe onde quer chegar qualquer caminho serve”

Logo em seguida, tendo mais informações, como o Layout do espaço, é possível determinar uma Estimativa Definitiva, e esta tende a ter uma variação entre -5% à 10%.


Quando o escopo está totalmente definido, ou seja, o projeto de arquitetura e todos os projetos complementares já estão concluídos e aprovados, é possível dar a Estimativa Orçamentária.


Isso é possível, porque estes projetos, como falamos no primeiro vídeo, contém as informações sobre o escopo da obra.


Porque ainda falamos que é estimativa? Bem, porque quando planejamos algo estamos falando de futuro e o futuro é incerto, contém riscos.


E risco nada mais é que o resultado entre Impacto x Probabilidade, porém se a probabilidade é 100% significa que é um fato, e já ocorreu.


Por isso uma boa prática de Gerenciamento de Projetos, sugerida pelo PMBOK, é fazer uma análise de reserva de contingência.


Existem dois tipos de reserva:


- Reserva de Gerenciamento: geralmente de 3% do valor total, que cobre os riscos que não sabemos que teremos;


- A Reserva de Contingência: cobre os riscos que são previstos com base em dados históricos, e deve ser utilizada apenas se tais riscos foram confirmados.


Até agora falamos de estimativas. O que é preciso para defini-las?


Primeiro é preciso definir os custos que incidem, e a quatro tipos de custos:


- Custos Variáveis: são aqueles que variam conforma a quantidade é alterada. Exemplo: quanto maior a obra, mais materiais serão utilizados, logo os custos

são variáveis.


Colocar 3 luminárias ao invés de 20 vai resultar numa variação no orçamento, ter mais operários na obra, pode torna-la mais rápida, mas também terá uma variação de custos, afinal, o que custa mais: 1 pedreiro ou 2 pedreiros?


- Custos fixos: custos que não se alteram independente do uso ou da quantidade.


Exemplo: aluguel do espaço.


Caso alugue um espaço comercial, e faça a obra, assim que a carência acabar, isto é, se ela existir, o custo irá ocorrer mesmo que o espaço não esteja pronto, ou 100% ocupado.


- Custos diretos: são os custos diretamente relacionados ao projeto. Exemplo: vidros, luminárias, móveis.


- Custo indiretos: são necessários para a manutenção do negócio de quem realiza serviços de obra.


Mas e se eu mesmo fizer a obra da minha loja, também terei custos indiretos?


Sim. Exemplo: impostos, serviços de exame médico, advogados, etc.


Quando você tem um orçamento definido antes da obra iniciar, é possível calcular o ROI pois afinal, que empreendedor quer investir num negócio que não dará retorno financeiro?


Também é possível prever um fluxo de caixa, considerando os custos do projeto e os custos operacionais que incidirão no negócio assim que este começar a operar.


Já vi muitos empreendedores calcularem o ROI considerando apenas os custos de implantação do negócio, mas sofrendo, e muito, no início da operação porque não tinha capital de giro, uma vez que aplicou a maior parte na obra.


CUIDADO! Isso pode ser fatal para o seu negócio que está apenas começando. Lembre-se como mencionei no início, você pode fazer uma obra que caiba no seu bolso, mas terá que adequar as suas expectativas à sua realidade financeira, e a melhor maneira de fazer isso, é se planejando para isso.


Então é isso.


Esta foi a terceira área de conhecimento que o PMBOK trata.


Até agora, são itens que você provavelmente fez, e planejou, mas e as demais áreas?


Elas são igualmente importantes para o planejamento do projeto (entenda por projeto algo que tem um objetivo e tem começo, meio e fim).


Nos próximos artigos trataremos sobre como a qualidade, comunicação, recursos humanos, riscos, aquisições e partes interessadas devem ser gerenciadas para que o projeto tenha sucesso.


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Aguardo você no próximo post, até mais!

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