Arquitetura parasita. Você sabe o que é isso?

Atualizado: 25 de Jul de 2019




Caro leitor, é provável que você já tenha escutado por aí sobre o significado de parasitas.


Seja na área de biologia ou como em outros assuntos.


E dessa vez, viemos te trazer esse conceito de forma diferente – isto é, dentro da arquitetura.


Nos centros urbanos, o parasitismo pode ser considerado como algo estranho e diferente, na primeira impressão obtida.


Mas na verdade, existe um grande projeto por trás disso tudo.


A arquitetura parasita tem como foco a sustentabilidade e conscientização, aliado à criatividade e inovação na hora de criar um projeto.


Achou curioso?


Então, recomendamos ler esse artigo até o final! Vem com a gente:


Definição de arquitetura parasita


Esse ramo da arquitetura se baseia na construção de estruturas, através de estruturas que já estão prontas.


Ou seja, a arquitetura parasita se apropria de um espaço, para criar outro.


E dessa forma, não precisa criar outros prédios, apenas criar uma nova estrutura neles.


Alguns podem achar que é simplesmente anexar uma estrutura em qualquer lugar, mas estão completamente enganados.


Deve ser respeitado como qualquer outro projeto, que possui estratégias e também leva em conta a estética.


Para entender melhor, selecionamos alguns pontos que devem ser levados a sério na hora de falar sobre parasitismo.


A seguir, planejamos uma lista com base em toda complexidade da arquitetura parasita:


  • É considerada parte de um ato artístico. Pode ser feita com a ajuda de artistas, onde criarão um ambiente reflexivo e criativo.


  • O parasitismo pode inovar todo um lugar existente, que precisa de “vida” ou que está abandonado.


  • Ajuda a cidade e seus habitantes a entender melhor o conceito de transformação e inovação.


  • E o mais importante, é criado para usufruir da melhor forma a sustentabilidade que pode trazer a estrutura e a cidade em questão.


O conceito de parasitismo





Na biologia, um parasita é quem se apropria de um corpo para sobreviver.


Ele se instala e retira o que é preciso para continuar vivo.


Podendo trazer ou não, riscos ao seu hospedeiro.


Mas, na arquitetura não é a mesma coisa.


O parasita na arquitetura, não traz riscos ou problema para o seu “corpo” – que pode ser o prédio, a cidade ou a infraestrutura escolhida – e sim, traz mudanças e inovações para evoluir essa estrutura.


Por conta de haver muitos planos e estratégias dentro de um projeto de parasitismo, não há com o que se preocupar.


Se vai acontecer algo errado ou se vai danificar a estrutura existente.


Como dissemos anteriormente, é um projeto como qualquer outro que seja dito como “comum”.


“O parasita ativa a batalha entre as pessoas que apoiam a transformação (portanto, o parasita) e as pessoas que querem manter a cidade como está” Merel Pit, Karel Steller e Gerjan Streng em um artigo sobre arquitetura parasita.



Com base nessa citação, separamos a teoria dos arquitetos holandeses em relação ao tema.


A seguir, você vai conferir algumas especificações.


A cidade como organismo vivo:


Um parasita necessita de um corpo vivo para se hospedar, correto?


E no sentido arquitetônico, a cidade é tratada como o organismo vivo, pois vai hospedar esses novos projetos.


Sistema físico:


Os autores relatam o corpo físico como o ambiente construído ao redor, a sua infraestrutura, tudo o que ronda.


Ou seja, o sistema físico é a cidade em si.


Sistema mental:


Esse sistema está relacionado a convivência das pessoas que habitam o espaço ou ambiente.


Inclusive, a expectativa que elas criam em relação as outras pessoas que estão presentes no mesmo lugar.


Ou seja, o sistema mental é sobre a maneira de como as pessoas se portam e se realmente estão fazendo o que é esperado delas.


Por exemplo: andar corretamente na calçada, respeitar o espaço do outro, tomar cuidado com a velocidade ao andar para não prejudicar o outro – enfim, gatilhos mentais que são ativados todos os dias, pois já fazem parte da rotina diária de muitas pessoas e são comportamentos esperados e normais.


Sistema de imunidade:


Segundo os arquitetos que produziram a teoria, o sistema de imunidade da cidade está relacionado as barreiras que são impostas para as pessoas.


E involuntariamente, essas barreiras limitam as pessoas, fazendo com que elas não queiram tomar nenhuma atitude contra esse sistema.


Por exemplo, essas barreiras podem ser coisas simples ou mais complexas.


Se você for contra essas barreiras em público, provavelmente vai obter reprovação das pessoas.


As coisas simples se caracterizam como, andar descalço pelas ruas ou lugares privados.


Pode parecer algo pequeno, mas provavelmente você vai ser julgado ou olhado de forma estranha se tomar essa atitude.


Já as coisas mais complexas, ou rudes, podem ser caracterizadas como não deixar um idoso sentar ao seu lado no ônibus, pois suas bolsas estão ocupando o banco.


Ou também, usar duas vagas de estacionamento para limitar a opção das outras pessoas que estão procurando por uma vaga, entre outros ocorridos.



Já a arquitetura parasita, está presente para não fazer parte desse sistema de imunidade.


A intenção desse ramo é provocar e não seguir as coordenadas de um projeto normal.


Ou seja, o parasitismo não está preocupado com formalidades urbanas e nem com olhares tortos que pode gerar.


Na verdade, esse conceito quer que as pessoas notem a inovação e o que ela pode fazer por uma cidade e pelas pessoas que habitam.


As estruturas parasitas não são criadas para serem imunes a reprovação, na verdade, esse conceito está mais para gerar reflexões e questionamentos.


Entre eles, a estética, pois é um dos fatos mais questionados ao ver uma estrutura parasita.


A maioria das pessoas quer continuar a cidade como sempre foi criando projetos e estruturas comuns, as vezes até mesmo sem sentido.


Mas que de certa forma, sejam tradicionais.


E é por isso que o parasitismo provoca tantos questionamentos, pois está apto a sair da zona padrão e de conforto, para chegar até o caminho criativo que pode mudar todo o sistema físico – isto é, a cidade.


Sustentabilidade


É importante frisar que a sustentabilidade está extremamente relacionada à arquitetura parasita.


Nos grandes centros urbanos, é comum as ruas estarem cobertas de prédios e construções.


Sempre está sendo construído algo novo ou estão projetando uma nova estrutura.


De fato, a construção de prédios tem aumentado há cada ano que passa.


Nas ruas, é comum se perguntar se ainda resta algum lugar para qualquer outra infraestrutura ser erguida.


Mas não se preocupe, não é apenas na sua cidade que isso acontece.


No mundo inteiro, um grande problema tem sido a escassez de espaço para criar novos prédios, pois todos os lugares estão lotados deles.


E é por isso que a arquitetura parasita é uma grande aliada da sustentabilidade.


Para criar uma nova estrutura, você não precisa de um novo espaço – basta implantar em uma estrutura que já está pronta.


Poupando assim, um grande espaço dentro das ruas e da cidade em si.


E é por isso também, que a arquitetura parasita não pensa só na beleza e estética do projeto.


É muito importante criar uma estratégia que tenha como resultado uma forma sustentável, que obtenha um conceito por trás.


E dessa forma, não é apenas a estética que tem o poder de criar uma estrutura eficaz e de certa forma, bonita.


Projetos


O parasitismo projeta uma estrutura bem elaborada e estratégica.


Nesse sentido, a arquitetura pode e visa ajudar muitas pessoas.


É o caso do projeto lançado pelo designer James Furzer, em Londres, na Inglaterra.





O projeto de James é criar uma solução para os sem-teto, isto é, as pessoas que moram na rua e não tem onde dormir.


Levando em consideração o risco que esses indivíduos correm estando avulsos na rua, o designer projetou estruturas parasitas para resolver esse problema.


Para as pessoas que acham que a arquitetura parasita tem uma aparência estranha ou diferente, poderão enxergar esse lado consciente, humanizado e sustentável para ajudar a cidade e as pessoas que moram nela. Incrível, não é?


Apostamos que, depois de ler essas informações presentes, muitas pessoas vão descobrir a importância do parasitismo na sociedade.


Outro projeto que teve muita repercussão e discussão sobre o conceito de parasitismo, foi o mini escritório do designer espanhol, Fernando Abellanas.


O seu espaço de trabalho foi montado embaixo de um viaduto.


Sim, isso mesmo que você leu!


A seguir, trouxemos uma imagem para você entender melhor:





A foto mostra exatamente o que o designer Fernando quis demonstrar: um local inusitado, diferente, mas criativo e bem fora do esperado.


O estúdio foi construído com base de metal e madeira.


O mini escritório está localizado Valência, na Espanha.


A proposta do designer surgiu da vontade de ter um ambiente em que ele pudesse se sentir criança novamente, além de evitar que surgisse visitas desnecessárias – afinal, não é um lugar que atrai muitas visitações, não é mesmo?


Por fim, esperamos que você tenha entendido o conceito da arquitetura parasita e todos os contextos que estão presentes nela.


O parasitismo não ajuda somente a cidade em que está localizado, mas todas as pessoas que estão ao redor.


Apesar de ser algo extremamente inovador para algumas pessoas, merece a sua visibilidade e é claro, sua ocupação nos centros urbanos.


Ajude a espalhar as transformações e inovações provenientes dessa arte arquitetônica!